MEOR · MTB Engenharia Econômica

Análises · Usina MTB

O que o MEOR revela

Quatro coisas que mexem no ano de reforma, e uma que quase não mexe. Cada achado vem das mesmas três áreas da demonstração, rodadas de novo no MTB-FAUSTMANN com uma coisa mudando de cada vez. Em todos os gráficos, a medida é a mesma da página inicial: a perda por errar o ano, a PEI, em reais por hectare e por ano.

A Usina MTB não existe. É uma usina de demonstração: a economia de cada hectare vem de casos reais analisados, com nomes trocados e áreas alteradas, e nenhum número identifica usina, fazenda ou área. Os custos são custos de referência da MTB, médias de carteiras analisadas. A conta é a de verdade: cada número saiu do MTB-FAUSTMANN, o mesmo motor dos relatórios de cliente.

Achado 1

A altura da linha é a cana

Três áreas, duas unidades, dois ambientes, e as linhas quase se sobrepõem. Para cada produtividade da lavoura atual, o gráfico mostra o que se perde reformando já e o que se perde reformando no ano que vem. A linha mais baixa é a decisão certa.

Abaixo de uns 70 t/ha em 2026, a produtividade que chega ao ano seguinte em cima da régua (o PEP), reformar já não perde nada, e adiar perde cerca de R$ 33 por hectare e por ano a mais a cada tonelada a menos. Acima, é reformar já que perde; e, a partir de uns 80 t/ha, reformar no ano que vem também perde: o certo é esperar mais. É por isso que a área do 7º corte espera e a do 4º se reforma.

0 300 600 900 1.200 1.500 1.800 40 50 60 70 80 90 100 produtividade da lavoura atual em 2026, t/ha perda por errar o ano (PEI), R$/ha·ano N-06 · 53 N-07 · 59 S-05 · 84

perda se reformar já (2026)perda se reformar no ano que vem (2027)

Resultado
a perda por errar o ano (PEI), em R$ por hectare e por ano, de duas decisões: reformar já e reformar no ano que vem. A linha mais baixa é a decisão certa; onde uma delas vale zero, está o MEOR.
O que varia
no eixo horizontal, a produtividade da lavoura atual em 2026 (de 40 a 100 t/ha); nas cores, as duas decisões. As três áreas estão desenhadas; o pontilhado marca a produtividade real de cada uma.
O que fica fixo
a TMAR de 25 %, os custos de cada ambiente, preço e ATR, colheita, transporte, indústria.
As áreas
N-06 (53 t/ha em 2026, reformar já) · N-07 (59 t/ha, reformar já) · S-05 (84 t/ha, esperar até 2028).
As diferenças
em cada ponto do eixo as três áreas recebem a mesma cana, e a cana projetada para o ano que vem sai praticamente igual nas três. O que afasta as linhas vem de fora da lavoura. A S-05 fica acima porque está na outra unidade da Usina MTB, com outra economia por tonelada de cana; o transporte da fazenda pesa pouco. A N-06 e a N-07 são da mesma unidade e quase coincidem: a N-07 tem formação e tratos um pouco mais baratos e transporte um pouco mais caro, e um efeito quase anula o outro. Perto do efeito da cana, essas diferenças são pequenas: é a cana que decide o ano.

Achado 2

Tratos contra formação: a métrica que quase ninguém acompanha

O QTF é o custo anual dos tratos da soca dividido pelo custo de formar a lavoura nova. Quando os tratos encarecem em relação à formação, manter a soqueira fica mais caro e a lavoura nova passa a valer mais cedo: a reforma vem para mais cedo.

Na S-05, a área que espera, o MEOR anda pelo calendário só com o QTF: 2029 com o QTF até 24 %, 2028 entre 26 % e 40 %, 2027 de 42 % em diante. Nas duas áreas que já devem ser reformadas, o QTF mais alto aumenta a perda de adiar, mas não há para onde antecipar.

0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 20 % 24 % 28 % 32 % 36 % 40 % 44 % QTF: tratos da soca ÷ formação da lavoura (só os tratos variam) perda por errar o ano (PEI), R$/ha·ano N-06 perda de adiar N-07 perda de adiar S-05 perda de reformar já MEOR 2029 MEOR 2028 MEOR 2027

perda de adiar (a área deve ser reformada já)perda de reformar já (a área deve esperar)

Resultado
a perda por errar o ano (PEI), em R$ por hectare e por ano. Linha cheia: a perda de adiar, nas áreas que devem ser reformadas já. Linha tracejada: a perda de reformar já, na área que deve esperar. São perdas de erros diferentes: quando uma linha cheia cruza uma tracejada, o cruzamento não quer dizer nada.
O que varia
no eixo horizontal, o QTF, de 20 % a 44 %, mudando só os tratos da soca; nas cores, as três áreas.
O que fica fixo
a formação da lavoura, a TMAR de 25 %, preço e ATR, colheita, transporte, indústria.
As áreas
N-06 (53 t/ha em 2026, reformar já) · N-07 (59 t/ha, reformar já) · S-05 (84 t/ha, esperar até 2028).

Achado 3

A mesma taxa, duas respostas

A TMAR é a taxa das boas oportunidades de investimento que a usina tem e preteriu (o BLI). Quando o BLI está recheado de boas oportunidades, a TMAR é mais alta. A lavoura nova, que pede capital agora para devolver depois, passa a valer menos diante das oportunidades de fora, e adiá-la custa menos: a área forte espera mais; as fracas continuam sendo reformadas já.

Na S-05, o MEOR é 2027 com TMAR de 8 % a 12 %, 2028 de 15 % a 32 % e 2029 com 40 %. Na N-06 e na N-07, reformar já continua certo em toda a faixa: com outra TMAR, muda o tamanho da perda de quem adia, não a decisão.

É exercício: a TMAR é a taxa do BLI, não se escolhe para uma alternativa vencer. Uma TMAR baixa pode significar que o BLI está desidratado de bons projetos — os gestores devem agir.

0 200 400 600 800 1.000 1.200 1.400 8 % 12 % 15 % 20 % 25 % 32 % 40 % TMAR, % ao ano, real perda por errar o ano (PEI), R$/ha·ano N-06 perda de adiar N-07 perda de adiar S-05 perda de reformar já MEOR 2027 MEOR 2028 MEOR 2029

perda de adiar (a área deve ser reformada já)perda de reformar já (a área deve esperar)

Resultado
a perda por errar o ano (PEI), em R$ por hectare e por ano. Linha cheia: a perda de adiar, nas áreas que devem ser reformadas já. Linha tracejada: a perda de reformar já, na área que deve esperar. São perdas de erros diferentes: quando uma linha cheia cruza uma tracejada, o cruzamento não quer dizer nada.
O que varia
no eixo horizontal, a TMAR, de 8 % a 40 % ao ano, real; nas cores, as três áreas.
O que fica fixo
os custos de cada ambiente, preço e ATR, colheita, transporte, indústria.
As áreas
N-06 (53 t/ha em 2026, reformar já) · N-07 (59 t/ha, reformar já) · S-05 (84 t/ha, esperar até 2028).

Achado 4

Inflação que só pega a lavoura

Se tudo sobe junto, preço e custos, nada muda: o ano de reforma é o mesmo, e só a escala dos reais é outra. O que mexe no calendário é o custo da lavoura subindo mais do que a receita. Aqui, os tratos da soca e a formação sobem juntos, e todo o resto fica parado.

Com os dois custos mais altos, a perda de adiar cai nas áreas que devem ser reformadas, e a perda de reformar já sobe na que deve esperar: errar para o lado de esperar fica mais barato, e o calendário estica um pouco. De −40 % a +40 %, nenhuma das três muda de ano.

0 100 200 300 400 500 600 700 800 900 -40 % -20 % 0 % +20 % +40 % tratos da soca e formação, juntos (o QTF não muda) perda por errar o ano (PEI), R$/ha·ano N-06 perda de adiar N-07 perda de adiar S-05 perda de reformar já

perda de adiar (a área deve ser reformada já)perda de reformar já (a área deve esperar)

Resultado
a perda por errar o ano (PEI), em R$ por hectare e por ano. Linha cheia: a perda de adiar, nas áreas que devem ser reformadas já. Linha tracejada: a perda de reformar já, na área que deve esperar. São perdas de erros diferentes: quando uma linha cheia cruza uma tracejada, o cruzamento não quer dizer nada.
O que varia
no eixo horizontal, os tratos da soca e a formação multiplicados pelo mesmo fator, de −40 % a +40 % (o QTF não muda); nas cores, as três áreas.
O que fica fixo
a TMAR de 25 %, preço e ATR, colheita, transporte, indústria.
As áreas
N-06 (53 t/ha em 2026, reformar já) · N-07 (59 t/ha, reformar já) · S-05 (84 t/ha, esperar até 2028).

Na sua usina

Com os dados de vocês, sai o calendário de vocês

Os comportamentos se repetem de usina para usina; os números, não. A régua de cada área depende dos custos de cada ambiente, da cana de cada talhão e da taxa de cada empresa.